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Alguém abre o ChatGPT e pergunta qual padaria perto de casa faz bolo por encomenda. Antes de responder, ele lê, em média, umas 36 páginas. Na resposta aparecem poucas.

Dezenas de folhas impressas de páginas de site espalhadas em fileiras numa mesa grande, quase todas claras e só umas cinco em laranja

Quem contou foi a AirOps, num estudo de março de 2026 com 15 mil perguntas feitas ao ChatGPT. Pra responder tudo isso, ele leu 548.534 páginas. Só 15% delas viraram citação. O resto foi lido e ficou de fora.

E tem cada vez mais gente perguntando. Numa pesquisa da Fbiz com a On The Go, de setembro de 2026, 8 em cada 10 entrevistados já usavam alguma IA no dia a dia. E 46% de quem usa já pergunta pra ela antes de comprar um produto ou contratar um serviço. Foram 1.200 pessoas, de 16 anos pra cima.

A pergunta vira várias buscas

O ChatGPT quebra a pergunta em pedaços e pesquisa cada um. No estudo, quase 9 em cada 10 perguntas geraram pelo menos duas buscas extras.

Na pergunta da padaria, essas buscas poderiam ser "preço de bolo de aniversário", "padaria com entrega no sábado" e "avaliação de padaria no bairro". Esse exemplo é meu, pra mostrar a ideia.

Vitrine de uma padaria de bairro de manhã, com bolos de aniversário inteiros atrás do vidro e um bloco de encomendas em branco em cima do balcão

E 95% dessas buscas extras têm volume zero, ninguém digita aquilo no Google. Gente não pesquisa daquele jeito. Só a IA.

Pra quem tem negócio pequeno, isso abre uma porta. Das páginas citadas que estavam em algum top 20 do Google, um terço só apareceu nessas buscas extras. Então a página que responde o detalhe (o preço, o prazo, se entrega no sábado) entra na resposta mesmo sem ser a primeira do Google.

O Google ainda pesa muito

Mas o Google continua contando. No mesmo estudo, quem tava em 1º no Google foi citado 3,5 vezes mais do que quem tava lá pela terceira página.

Vale uma ressalva. A AirOps vende ferramenta de monitoramento de IA, e o estudo mostra o que anda junto com ser citado, sem provar que uma coisa causa a outra. Mesmo assim, pra mim faz sentido. Se a IA pesquisa antes de responder, quem já aparece bem nas buscas sai na frente.

O site bonito que o robô não lê

Agora a parte de quem faz site. Muito site monta o texto só na hora em que abre no navegador, com JavaScript. Pra quem visita, aparece tudo. Pra um robô que não roda esse código, chega uma página quase vazia.

Em dezembro de 2024, a Vercel e a MERJ olharam os robôs de IA e viram que os principais não rodavam JavaScript. Entre eles estavam os três da OpenAI, o GPTBot, o OAI-SearchBot e o ChatGPT-User. As exceções eram o Gemini, que usa o robô do Google, e o robô da Apple. Pra esses robôs da OpenAI, o que não vinha escrito na página não existia.

Notebook aberto mostrando o site de uma padaria com fotos de bolos, ao lado de uma folha impressa da mesma página quase toda em branco

Um desenvolvedor contou que, desde 25 de setembro de 2026, os robôs da OpenAI passaram a rodar JavaScript em alguns sites. Só que é o relato de uma pessoa, e a OpenAI não anunciou nada. Eu não deixaria o site de um cliente dependendo disso.

O que o cliente perguntaria no balcão

O site que entra nos 15% responde o que o cliente perguntaria no balcão. Preço, prazo, entrega, onde fica. Escrito na página, em texto, e não dentro de uma imagem, num site que aparece no Google.

Folha impressa da página de encomendas de uma padaria em cima de um balcão de madeira, com quatro linhas circuladas à mão com caneta laranja, ao lado de uma caixa de bolo fechada

Na padaria, é a página de bolos por encomenda dizer quanto custa, em quanto tempo fica pronto, se entrega no sábado e onde a padaria fica.

Se você tem um negócio, pergunta pra quem fez o seu site se o texto aparece pra um robô que só lê o que tá escrito.

Se não aparece, pra ele o seu site tá em branco.

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