(Repertório)
O borogodó do design brasileiro tá pintado no letreiro do boteco
O letreiro do boteco e a frase do para-choque foram feitos por quem nunca abriu um manual de marca, e por isso não tem dois iguais. O logo feito por IA sai igual ao da loja do lado.
Mateus CremonDesigner, Cremon Studio · 2 min de leitura
Quem pintou o letreiro do boteco da esquina nunca abriu um manual de marca. A letra é cheia de floreio, e de perto dá pra ver a pincelada.

Aquilo tem borogodó. E como borogodó é palavra brasileira, fui procurar no design da rua daqui, o design de quem nunca abriu um Figma.
O manual de marca
Manual de marca é branco e certinho. Tem a cor exata e tem a página dizendo onde o logo pode e onde não pode ficar.
Só que o borogodó não tá em manual nenhum. Tá em toda esquina daqui, na fachada colorida, no toldo e no letreiro.
O para-choque
A frase do para-choque, foi o dono do caminhão que escolheu. Ela vem pintada com ornamento dos dois lados, bem no lugar que quem vem atrás fica olhando a viagem inteira. Ninguém revisou essa frase além dele.

O cardápio de giz
O cardápio de giz, quem escreve é quem cozinha. A letra da lousa é a letra da pessoa, e o desenhinho do prato do dia também é dela. Se mudar quem cozinha, muda a letra.

Ninguém pediu briefing
E ninguém pediu briefing pra nada disso. Não teve reunião nem rodada de ajuste. Ninguém ali tava tentando parecer com ninguém, daí não tem dois iguais.
Eu gosto de coisa com detalhe, de coisa bonita, de casa brasileira que tem cara de casa. A rua daqui é cheia disso.
O logo da loja do lado
Já o logo feito por IA teve prompt e tudo, e saiu igual ao da loja do lado.

A IA tem referência do mundo inteiro e entrega logo que serviria pra qualquer loja da rua. Sai uma coisa lisa, sem nada que diga de quem é. O letreiro do boteco só serve praquele boteco.
Se o seu logo pudesse ir pra fachada da loja do lado sem ninguém perceber a troca, tá faltando borogodó nele.